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VAMOS ABORTAR A HIPOCRISIA
Como uma ferida que sangra lentamente a descriminalização do aborto é tema constante de discussões apaixonadas. Seja por motivos religiosos, econômicos ou simplesmente pela defesa da vida, teses são levantadas. Como não ter uma opinião significa ter uma todas as pessoas possuem, com bons argumentos ou não, uma opinião formada a respeito. E a discussão fica cada vez mais longe de uma solução.
A descriminalização do aborto seria um passo importante na consolidação da nossa democracia. Com isso, mesmo com a ineficácia dos programas de planejamento familiar (?) patrocinados pelo governo, boa parte das crianças indesejadas não nasceria. Antes que me taxem por elitista, higienista ou algo do tipo quero dizer que em nenhuma hipótese encorajaria alguém a abortar. Ainda não sou pai, mas esse é um dos meus maiores desejos nessa vida, senão o maior. O que gostaria que as pessoas tivessem é a oportunidade de escolher se querem ou não ter uma criança. O resto fica por conta da consciência de cada um.
Certa vez uma revista semanal imprimiu em sua capa, sob o título de “Eu abortei”, fotos de diversas personalidades que já tinham feito um aborto. Ora, se diversas mulheres, ricas e bem-sucedidas, já fizeram um aborto, por que uma mulher pobre, que não queira ter um filho, pelo motivo que lhe convier, não pode fazer um aborto? Vivemos em uma sociedade hipócrita e, certamente, ninguém consegue responder a essa pergunta de forma clara, talvez nem eu a responda.
Na comunidade de relacionamentos Orkut existem dezenas de comunidades sobre o tema. Em pelo menos quatro delas pude, para meu espanto, ver uma relação de clínicas no Brasil que fazem aborto. Nessas listas, pasmem, até o preço de tal operação é citado. Aí vai um questionamento: Por que o CRM, Conselho Regional de Medicina, não aciona a polícia para que esses profissionais tenham suas licenças cassadas e sejam presos? Fácil, pois só quem tem dinheiro pode fazer tal aborto enquanto que meninas sem nenhuma condições financeira têm que se sujeitar a verdadeiros açougues ou a artesanal técnica da agulha de tricô. Ou se descriminaliza o aborto, ou se pune com rigor quem o faz. Não podemos deixa a hipocrisia como bandeira a favor da vida se milhares de abortos são feitos quase que legalmente e o Estado nada faz para coibir.
Mais uma vertente desse espinhoso tema é a chamada “indústria da pobreza” já que quanto mais crianças abandonadas nas ruas, mais esses pseudo-caridosos podem lucrar com um crônico problema que a sociedade insiste em empurrar para debaixo do tapete.
Pesquisando sobre o assunto na internet verifiquei duas terminologias para aqueles que são a favor ou contrários a descriminalização do aborto, “Pró aborto” e “Pró vida”. E, talvez pelo ranço da igreja católica, as pessoas aceitam que quem é a favor da descriminalização de tal ato não seja a favor da vida. Conversando com algumas dessas pessoas percebi que ser a favor da vida vai muito além de respirar ou ver um coração batendo, ser a favor da vida é antes de tudo deixar com que as pessoas façam suas escolhas com o máximo de segurança possível. É acreditar, antes de tudo, que só iremos evoluir enquanto sociedade quando deixarmos de lado a hipocrisia e pensarmos na liberdade do indivíduo dentro de uma sociedade.
Portanto é imprescindível que nos debrucemos de verdade sobre o tema. Que nos livremos da hipocrisia e permitamos a todas as mulheres o direito de escolher entre ter ou não ter um bebê. Que essa discussão, seja qual for seu resultado, nos faça amadurecer enquanto sociedade e que as mulheres, e todas as pessoas, possam ter como único repressor não a hipocrisia ma sim as suas consciências.
Escrito por Gláucio Farina às 14h46
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O REI DA ÁREA NÃO SALVA NOSSA PÁTRIA
Por Gláucio Farina
Desde o mais chinfrim boteco ao mais sofisticado restaurante, um assunto ganhou ares de discussão apaixonada, como tudo no futebol, a saga do milésimo gol de Romário. E de tudo o que vi, li e ouvi o que mais me impressiona é a capacidade com que o povo brasileiro destrói seus ídolos. Não sou favorável ao descobrimento de um herói nacional, um Sassá Mutema, em qualquer esfera, mas daí, desconstruir tudo o que verdadeiros gênios conseguem fazer é demais. E Romário, com ou sem 1000 gols, é um desses gênios.
Independente da marca, de um simbolismo fantástico, Romário deve ser reverenciado por tudo aquilo que fez. O “Rei da área” foi inigualável na arte de fazer gols, verdadeiras pinturas capazes de arrancar aplausos até do mais mordaz crítico de arte. Verdadeiras obras-primas que, com seus toques, ganham ares de simplicidade, simplicidade esta que nos cativa ainda mais.
São tantas as cenas que nunca me esquecerei que fica praticamente impossível citar apenas uma. Elas povoam meu imaginário e se confundem com tantas que nem sei o que é real e o que atribuí a ele, único gênio que vi jogar, tal a dificuldade delas. Então. Seja qual for a quantidade de gols que ele fez, quando marcar o milésimo segundo suas contas, tenha certeza leitor, estarei em algum canto rememorando e reverenciando cada mágico momento proporcionado por Romário em minha vida. E sempre o terei, com todos os seus defeitos, com todas as suas virtudes, num lugar reservado a poucos no meu coração, no lugar que um dia havia reservado para o Salvador da Pátria, mas que hoje, reservo apenas aos gênios que, se não nos salvam, nos ajudam a encontrar o caminho, não o do gol, mas o de uma vida melhor.
*Minha primeira coluna publicada no site http://gostodeler.com.br .
Escrito por Gláucio Farina às 10h28
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OPORTUNISMO E INEFICIÊNCIA
Após os recentes acontecimentos que chocaram a sociedade, voltamos mais uma vez para o caloroso debate acerca da redução da maioridade penal. O cruel assassinato do garoto João Hélio, na zona Norte do Rio, por cinco garotos, como ele, expôs de forma frontal esse irreversível debate.
Mas, como cobrar destes adolescentes deveres como a civilidade, se a contrapartida dada pelo estado é nula? Qual a perspectiva dada por nossas instituições a estes adolescentes? Esses são apenas os primeiros questionamentos que devem ser feitos antes de se discutir tal assunto.
Jovens sem futuro estão, invariavelmente, condenados a não entender e respeitar o seu próprio presente.
A pura e simples redução da maioridade penal não só transfere o problema de faixa etária como torna ainda mais precoce o ingresso de crianças no crime. O oportunismo de políticos e pseudo-lideranças nos comentários feitos desde o caso mostra a ineficiência destas pessoas em controlar e atacar a causa e não o efeito evidenciado no caso.
Muitos são os países sem distinção, no que se refere a crimes, de idade. Porém em nenhum destes lugares essa é uma medida isolada. Basta se comparar a qualidade de vida destas duas crianças e adolescentes, na Inglaterra, por exemplo, para se entender que uma boa educação, se não resolve definitivamente o problema, o atenua.
É necessário que todas as classes, a sociedade e os três poderes revejam os alicerces de nossas instituições. Melhor qualidade de ensino, maior capacitação, chance de um futuro digno e o respeito do estado por seu cidadão são as primeiras medidas a serem tomadas, antes de se cobrar de crianças e adolescentes aquilo que o Estado não lhes dá: Dignidade.
Escrito por Gláucio Farina às 10h27
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